Concurso da PMM prevê maqueiros com salário maior que de professor

05/04/2012 09:07

Editais dos concursos municipais lançados nesta semana mostram a distorção nos salários dos responsáveis diretos pela educação, em relação ao que é pago a outros profissionais.

[ i ] Diferentemente de anos anteriores, representantes do Sinteam não demonstraram qualquer intenção em questionar junto à Prefeitura de Manaus a disparidade entre os salários

Manaus - Os salários dos professores com nível Superior em início da carreira na Secretaria Municipal de Educação (Semed) são inferiores às remunerações para cargos de níveis Fundamental e Médio como maqueiro e assistente de administração, oferecidos no concurso público da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Amazonas (Sinteam) afirma que a condição “não é justa”, mas não concorda em comparar categorias distintas.

A remuneração para a função de assistente de administração, que exige ensino Médio completo, é 36,5% superior em comparação ao salário de um professor concursado com nível Superior da Semed, que cumpre carga horária de 20 horas semanais. Enquanto o docente municipal em início de carreira recebe R$ 1.132,07, sem considerar benefícios de alimentação e transporte de acordo com o Diário Oficial do Município de Manaus de 22 de dezembro de 2011, o assistente de administração ganhará R$ 1.545,28 para trabalhar 30 horas semanais, quando passar no concurso.

Já o aprovado no certame da Semsa para o cargo de maqueiro receberá 9,65% a mais que o professor iniciante da Semed. Segundo o edital do concurso publicado no Diário Oficial do Município no último dia 3 de abril, o maqueiro terá salário de R$ 1.241,42 e carga horária de 30 horas semanais. Apesar de receber mais que o professor do município, o concursado para essa função precisa ter apenas o ensino Fundamental completo. “Não se pode comparar categorias diferentes, cada uma tem suas atribuições, vantagens e riscos, mas não é justo que um profissional com ensino Superior ganhe mais que outro com ensino Fundamental e Médio. A gente luta para que o professor seja cada vez mais valorizado, principalmente com melhores condições de trabalho”, disse o presidente do Sinteam, Marcus Libório.

Segundo o representante da entidade, o salário do docente do município também teria sido reajustado em 10%, passando para R$ 1.268. “Nos últimos cinco anos, a categoria, em Manaus, conquistou ganhos como a data base e o plano de cargos e salários. Em contrapartida, a maioria dos professores dos municípios do interior do Estado recebe menos do que o piso nacional que é de R$ 1.451, por 40 horas semanais”, afirma Libório.

O secretário municipal de Administração José Assunção reconheceu as distorções, no entanto, disse que os planos de cargos e salários da Educação e da Saúde foram elaborados pela gestão anterior e que a atual gestão da Prefeitura tem procurado promover as reposições de acordo com os índices do IGP-M.